Desde o último domingo, o sonho olímpico da velocista Krystsina Tsimanouskaya, estreante nos Jogos Olímpicos de Tóquio pela delegação de Belarus, deu lugar a um pesadelo. A atleta de 24 anos teria sido acordada e retirada contra sua vontade do seu quarto na Vila Olímpica para ser levada ao aeroporto, onde deveria tomar o voo de volta para casa. A corredora, no entanto, não chegou a embarcar, e ganhou comoção mundial ao denunciar o governo bielorrusso. Nesta terça-feira, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiou acionar uma comissão de inquérito para investigar o caso.

No sábado, ao saber que havia sido incluída na prova do revezamento 4×400, Krystsina fez uma publicação nas redes sociais alegando que não havia sido consultada previamente. Ela escreveu que não via problemas em ajudar o seu país na disputa, embora nunca tenha competido na categoria, mas que não gostou da maneira como o assunto foi tratado: segundo ela, sem comunicação ou explicação dos motivos. Ela correu nos 100 metros, mas não se classificou para as semifinais e deveria disputar as bateriais dos 200 mestros na segunda-feira, o que não aconteceu.

Krystsina foi retirada da delegação de Belarus, que pediu a extradição da atleta, sob a justificativa que o “estado emocional e psicológico” da corredora motivou decisão. Desde então, ela se recusa a retornar ao país de origem. Porta-voz do COI, Mark Adams garantiu que a atleta está em segurança, e antecipou que a entidade não medirá esforços junto ao Comitê Organizador para assegurar a proteção da velocista.

Porta-voz do COI, Mark Adams concedeu entrevista em Tóquio — Foto: IOC | Greg Martin

– Nossa prioridade é a segurança dessa atleta. Falamos ontem duas vezes com a Krystsina Tsimanouskaya. Ela afirmou que estava segura, falamos com as autoridades competentes, enquanto ela está planejando seu futuro. Falamos com o nosso parceiro do Escritório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, e também contatamos o Comitê Olímpico da Polônia. Certamente, o COI e o Comitê Organizador farão o que for preciso e continuaremos a apoiá-la em um novo país, se essa for a sua decisão.

Após o episódio, Marcin Przydacz, subsecretário de Estado para Segurança do Ministério das Relações Exteriores da Polônia, publicou nas redes sociais que “a Polônia fará tudo o que for necessário para ajudar a atleta a continuar sua carreira esportiva”. Krystsina recebeu um visto humanitário do país europeu.

O porta-voz do COI também confirmou que abrirá uma investigação formal para apurar o caso, e que já solicitou um relatório para o Comitê Olímpico da Bielorrússia.

– Estamos aguardando apenas esse relatório, que deve chegar hoje, para a comissão de inquérito abrir investigação oficial. Temos que verificar os fatos com cada uma das partes envolvidas e isso vai levar tempo, mas nossa preocupação agora é com atleta. Com esse exemplo, os atletas sabem que podem confiar no COI e no Comitê Organizador. As coisas levam tempo e temos que ouvir todos os envolvidos para chegar ao fundo da questão.

Governo vetado nas Olimpíadas

O Comitê Olímpico Nacional da Bielorrússia é chefiado por Viktor Lukashenko, filho do presidente do país, Alexander Lukashenko. Ambos foram proibidos de participar das Olimpíadas de Tóquio em meio a acusações de discriminação, censura e abuso de poder contra atletas que participaram de protestos contra a polêmica reeleição do presidente em agosto de 2020.

“Tenho medo de ser presa na Bielorrússia. Não tenho medo de ser despedida ou expulsa da seleção nacional. Preocupo-me com minha segurança”, disse Krystsina para a Fundação de Solidariedade Esportiva Bielorussa, grupo que apoia atletas perseguidos por suas visões políticas.

Fonte: G1
Foto:  Reutres/Issei Kato