Mais de 700 pessoas foram resgatadas durante o fim de semana no Mediterrâneo central, principalmente próximos aos litorais de Malta e da Líbia. Neste verão do hemisfério norte, o número de mortes durante as tentativas de travessia está batendo recordes nesta região.

Desde sábado (31), foram realizados seis resgates em águas internacionais, o último deles, na tarde de domingo (1º), chegou a resgatar 106 pessoas em um único barco sobrecarregado ao largo de Malta, anunciou a ONG europeia SOS Mediterrâneo. A embarcação em perigo foi localizada pelo navio da ONG alemã Sea-Watch.

A operação ocorreu poucas horas depois de o barco Ocean Viking, assim como as embarcações da Sea-Watch e da ONG alemã ResQship, terem socorrido na noite de sábado para domingo mais de 400 pessoas em perigo no Mediterrâneo central. A operação de resgate, explica Sophie Beau, diretora da associação SOS Mediterrâneo, foi “muito crítica porque havia um barco em perigo com 400 pessoas a bordo que ameaçava afundar”.

Os resgatados foram distribuídos entre o Sea-Watch3 e o Ocean Viking para receberem cuidados médicos.

Desde sábado, o Ocean Viking já soma seis operações de salvamento. O navio, que já havia acolhido 196 pessoas em diversos resgates ao largo da Líbia no sábado, tem agora mais que o dobro de pessoas a bordo com as duas operações no domingo. “No total, temos 555 pessoas resgatadas pelas equipes a bordo, seguras, mas em um estado de cansaço muito, muito grande, até mesmo de exaustão.”

Há pessoas de 22 nacionalidades, vindas de Bangladesh, de países da África Ocidental e Central. O grupo reúne pelo menos 28 mulheres, sendo duas grávidas, 81 menores, 66 deles desacompanhados. Ainda não há uma decisão sobre em qual “porto seguro” eles poderão desembarcar.

 

Oportunidade climática

“Houve de fato uma janela de boas condições meteorológicas ao longo destes dois dias, o que obviamente empurrou muitos barcos para o mar”, continua a diretora da associação SOS Mediterrâneo. “Também há preocupações de que outros barcos tenham sido interceptados pela guarda costeira da Líbia e levados de volta para o litoral do país. Infelizmente, não há navios suficientes presentes para conduzir operações de resgate militar neste momento.”

Apesar da forte insegurança, a Líbia continua a ser um importante ponto de passagem para dezenas de milhares de migrantes todos os anos que procuram chegar à Europa por meio da costa italiana, a cerca de 300 quilômetros da costa da Líbia.

A porta-voz na França do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Céline Schmitt, pediu no início de julho para que a Europa disponha “urgentemente” de um mecanismo de distribuição automático, previsível e solidário para os migrantes resgatados, a fim de oferecer-lhes as garantias de uma melhor recepção e não deixar apenas os países ao litoral do Mediterrâneo na linha da frente.

“Se olharmos para o Mediterrâneo central [a rota migratória marítima mais mortal do mundo, que liga a Líbia à Itália e Malta em particular], no ano passado, menos de 50 mil pessoas chegaram”, ​​ela destaca. “Esse é um volume totalmente possível de administrar por parte da população europeia, face ao número de desenraizados no mundo, que atingiu 82 milhões de pessoas”, frisou a porta-voz.

 

Mais de 34 mil resgatados

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), as partidas, interceptações e chegadas de migrantes no Mediterrâneo central estão aumentando este ano. Pelo menos 1.113 pessoas morreram no Mediterrâneo durante a primeira metade de 2021 enquanto tentavam chegar à Europa.

A ONG SOS Mediterrâneo afirma ter resgatado mais de 34 mil pessoas desde fevereiro de 2016, primeiro com a embarcação Aquarius, e depois com o Ocean Viking.

 

Fonte: G1.com
Foto: Darrin Zammit Lupi/Reuters