Longe das novelas há oito anos, mas sempre no ar com as reprises dos diversos sucessos em que atuou, Stênio Garcia pretende rever A Vida da Gente a partir da próxima segunda-feira (1º), na Globo. Será uma forma de matar as saudades de Laudelino, seu personagem na trama, e da colega Nicette Bruno(1933-2020), que saiu de cena no ano passado, vítima da Covid-19.

“O Laudelino era um apaixonado pela vida e pela Iná, personagem da querida Nicette Bruno”, recorda Stênio Garcia, aos 88 anos, em entrevista exclusiva ao NaTelinha. O veterano foi grande amigo não só da atriz, mas também do marido dela, Paulo Goulart (1933-2014). “Nicette e eu éramos mais ou menos da mesma altura, e brincávamos com isso, porque o Paulo tinha quase o dobro do meu tamanho. Talvez por isso fizemos alguns pares românticos”, conta.

A parceria com Nicette é o que de mais agradável o ator guarda de A Vida da Gente. “Ela tinha uma visão feminista, à frente de seu tempo. Vai dar uma saudade muito grande [ao assistir à novela]. Todas as vezes em que contracenava com ela, eu me soltava. Era uma pessoa com quem eu tinha uma liberdade de atuação. Começamos a trabalhar na mesma época, na TV Excelsior em São Paulo, e tínhamos essa coisa que chamam de química entre os atores.”

Afetividade dos idosos era destaque em A Vida da Gente: “Importante em todas as épocas”, diz Stênio Garcia

Em A Vida da Gente, Iná e Laudelino são namorados que enfrentam conflitos comuns a casais de qualquer faixa etária. “O grande valor da novela foi mostrar o idoso atuante. Falar sobre a idade é sempre muito importante. Além de trazer recordações, nos leva a atualizar o tempo que já se foi. O tema da novela era esse: o tempo que não volta mais”, define Stênio Garcia.

A sexualidade dos idosos era um tabu abordado na trama de Lícia Manzo, dirigida por Jayme Monjardim. No decorrer da história, Laudelino descobre um câncer de próstata, doença ainda permeada por mitos e estigmas, principalmente quanto ao medo da impotência sexual. “Eles viviam um grande romance, com relação sexual, e o grande problema se iniciava justamente após o diagnóstico. O personagem demonstrava um momento da vida do homem em que é confrontado com seu machismo e sua virilidade.”

A abordagem do amor e dos conflitos decorrentes desse sentimento na maturidade seguem relevantes neste momento de vulnerabilidade por conta da pandemia, segundo o ator. “É o Romeu e Julieta de todos os tempos. Falar da relação humana, principalmente da afetividade, é importante em todas as épocas, fazendo a variação para o momento da vida das pessoas”, opina.

Ator garante que só vai pensar em trabalho após segunda dose da vacina

Entre dezenas de personagens marcantes em 60 anos de carreira, alguns seguem mais vivos na memória do público e do intérprete. É o caso do Tio Ali, de O Clone (2001), do Zé do Araguaia, de O Rei do Gado (1996) e do caminhoneiro Bino da série Carga Pesada. Ele revela que, nessa onda de reprises por conta da pandemia, gostaria de rever episódios do extinto Caso Especial, poucas vezes reapresentados na TV.

Fonte: UOL
Foto: Alex Carvalho/Divulgação